Regulação das Big Techs no Brasil: o que foi decidido e o que ainda está em jogo
O debate sobre a regulação das grandes plataformas digitais no Brasil acumula anos de avanços parciais, recuos políticos e intervenções judiciais. O que começou como uma discussão sobre fake news e desinformação evoluiu para um embate mais amplo: quem regula o ambiente digital brasileiro, com quais regras e sob qual autoridade.
Em 2026, o cenário ainda é de incerteza. O PL das Fake News saiu de pauta sem votação. O STF interveio onde o Legislativo parou. O governo enviou um novo projeto ao Congresso focado na regulação econômica das Big Techs. E o debate sobre conteúdo segue sem resposta legislativa definitiva.
Para advogados e departamentos jurídicos, entender esse cenário é fundamental. As decisões que estão sendo tomadas agora vão redesenhar as regras do jogo para empresas, plataformas e usuários no Brasil.
Para você ficar por dentro:
Resumo para você
PL das Fake News: o que era e onde está
STF entrou em cena: o julgamento do artigo 19
PL 4675/2025: a aposta do governo na regulação econômica
O que ainda está em jogo em 2026?
O que esse debate significa para advogados e departamentos jurídicos?
Resumo para você
O Brasil ainda não tem uma legislação abrangente que regule o conteúdo das plataformas digitais. O PL 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, saiu de pauta em 2024 e segue sem votação.
Em seu lugar, o STF redefiniu a responsabilidade das plataformas ao julgar o artigo 19 do Marco Civil da Internet, e o governo enviou ao Congresso o PL 4675/2025, focado na regulação econômica e concorrencial das Big Techs. Em 2026, o texto aguarda votação na Câmara e o debate sobre conteúdo segue em aberto.
PL das Fake News: o que era e onde está
O PL 2630/2020 propunha maior transparência sobre algoritmos, rastreabilidade de conteúdos virais e responsabilidades mais claras para redes sociais e buscadores. Durante anos, foi alvo de intensa campanha contrária liderada por Big Techs como Google e Meta, que usaram suas próprias plataformas para disseminar a narrativa de que o projeto criaria censura no Brasil.
Em junho de 2024, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, retirou o texto de pauta sob a justificativa de que estava "contaminado" pela narrativa de censura. Em seu lugar, foi criado um grupo de trabalho que, na prática, não realizou nenhuma reunião nem ouviu nenhum convidado.
O PL das Fake News segue parado, sem previsão de retomada, deixando um vácuo regulatório significativo no país.
STF entrou em cena: o julgamento do artigo 19
Com o Congresso paralisado, o STF assumiu protagonismo. Em junho de 2025, a Corte declarou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que exigia ordem judicial prévia para responsabilizar plataformas por conteúdos de terceiros.
Com a decisão, conforme analisa o Conjur, plataformas podem ser responsabilizadas em determinadas hipóteses graves, como racismo, terrorismo e exploração sexual de menores, sem necessidade de ordem judicial prévia. A decisão abre um campo relevante de litigância para advogados que atuam com direito digital e compliance.
PL 4675/2025: a aposta do governo na regulação econômica
Em setembro de 2025, o governo enviou ao Congresso o PL 4675/2025, elaborado pelo Ministério da Fazenda após dois anos de estudos. Conforme informado pela Agência Gov, o projeto foca na regulação econômica e concorrencial das grandes plataformas, sem tratar de moderação de conteúdo.
O texto propõe obrigações para empresas com faturamento acima de R$ 5 bilhões no Brasil ou R$ 50 bilhões no mundo, classificadas como agentes de "relevância sistêmica". Entre as exigências estão portabilidade de dados, interoperabilidade e transparência sobre algoritmos. O projeto também cria uma Superintendência de Mercados Digitais dentro do Cade, com poderes preventivos.
O PL está pronto para pauta no plenário, mas enfrenta resistências políticas e forte atuação de lobbies econômicos.
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O que ainda está em jogo em 2026?
Há diversos projetos sobre desinformação e regulação de plataformas ainda em tramitação. O cenário é fragmentado e o calendário eleitoral torna o avanço legislativo ainda mais incerto.
O Cade conduz dois inquéritos relevantes: um sobre suposto abuso de posição dominante do Google em buscas e notícias, e outro sobre práticas de exclusividade da Meta no WhatsApp relacionadas ao uso de inteligência artificial. Ambos podem gerar decisões de grande impacto ainda este ano.
No plano geopolítico, o governo brasileiro precisa equilibrar sua agenda regulatória com as pressões dos Estados Unidos, onde a administração Trump já sinalizou críticas à atuação do STF e ameaçou sanções a países que adotarem regras sobre as Big Techs.
O que esse debate significa para advogados e departamentos jurídicos?
Para profissionais do direito, o cenário de regulação digital em evolução representa tanto um desafio operacional quanto uma oportunidade real de atuação.
A decisão do STF sobre o artigo 19 abre espaço para demandas judiciais envolvendo responsabilidade civil de plataformas. O ECA Digital impõe novas obrigações a serviços digitais. E o PL 4675/2025, quando aprovado, exigirá revisão de contratos, políticas de governança e estruturas de compliance em empresas de tecnologia.
Advogados que atuam em direito digital, proteção de dados e compliance estão no centro desse novo cenário. Para escritórios e departamentos jurídicos que querem se posicionar nesse mercado, organização e tecnologia serão os pilares que farão a diferença.
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