LGPD na prática: o que fazer quando seus dados são vazados

Guias para Advogados 25 de Abr de 2026

Receber uma notificação de que seus dados pessoais foram vazados é uma situação cada vez mais comum no Brasil. Senhas, CPFs, endereços, informações bancárias e até dados sensíveis de saúde podem ser expostos sem que o titular perceba imediatamente, gerando riscos reais de fraudes, golpes e prejuízos financeiros.

Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em vigor, o Brasil passou a contar com um marco legal que estabelece direitos claros para os titulares de dados e obrigações concretas para as empresas que os tratam. Mas na prática, muita gente ainda não sabe o que fazer quando seus dados são vazados ou quais direitos pode exercer nessa situação.

Neste conteúdo, você vai entender:

Resumo para você
O que é a LGPD e por que ela importa?
O que é um vazamento de dados pessoais?
O que fazer quando os dados pessoais são vazados?
Quais são os direitos como titular de dados?
O que as empresas são obrigadas a fazer em caso de vazamento?

Resumo para você

A LGPD garante aos brasileiros o direito de saber como seus dados pessoais são coletados, armazenados e utilizados pelas empresas. Em caso de vazamento, o titular tem direito a ser notificado, solicitar informações sobre o incidente e buscar reparação por eventuais danos sofridos.

Na prática, é fundamental registrar o ocorrido, comunicar a empresa responsável, acionar a ANPD se necessário e adotar medidas imediatas de proteção, como a troca de senhas e o monitoramento de movimentações financeiras suspeitas.

O que é a LGPD e por que ela importa?

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) é o marco legal brasileiro que regula a coleta, o armazenamento, o tratamento e o compartilhamento de dados pessoais por empresas e organizações públicas e privadas. Inspirada no modelo europeu de proteção de dados, a LGPD entrou em vigor em 2020 e representa uma mudança estrutural na forma como as organizações lidam com as informações dos seus usuários e clientes.

Na prática, a lei estabelece que toda pessoa tem o direito de saber quais dados seus estão sendo coletados, para qual finalidade, por quanto tempo serão armazenados e com quem serão compartilhados. Além disso, o titular pode solicitar a correção, a exclusão ou a portabilidade dos seus dados a qualquer momento.

Para as empresas, a LGPD impõe obrigações claras de transparência, segurança e responsabilidade no tratamento de dados pessoais. O descumprimento pode gerar multas de até 2% do faturamento anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além de danos reputacionais significativos.

A fiscalização e a aplicação da lei ficam sob responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que atua tanto na orientação das empresas quanto na aplicação de sanções em casos de descumprimento.

O que é um vazamento de dados pessoais?

Um vazamento de dados pessoais ocorre quando informações de titulares são expostas, acessadas ou compartilhadas sem autorização, seja por falha de segurança, ataque cibernético ou erro interno de uma empresa.

Na linguagem da LGPD, esse evento é chamado de incidente de segurança e pode envolver desde dados básicos, como nome e CPF, até informações mais sensíveis, como dados bancários, histórico de saúde e senhas de acesso.

Os vazamentos podem acontecer de diferentes formas. As mais comuns são ataques de hackers a bancos de dados corporativos, exposição acidental de informações por funcionários, falhas em sistemas de armazenamento em nuvem e compartilhamento indevido de dados com terceiros sem o consentimento do titular.

É fundamental que o titular esteja atento a sinais de alerta, como cobranças indevidas, tentativas de acesso não autorizado a contas e ofertas suspeitas que demonstrem conhecimento de informações pessoais.

No Brasil, a LGPD obriga as empresas a comunicar incidentes de segurança à ANPD e aos titulares afetados em prazo razoável, sempre que o vazamento possa acarretar risco ou dano relevante aos envolvidos.

O que fazer quando os dados pessoais são vazados?

Descobrir que seus dados foram vazados exige ação rápida. O primeiro passo é trocar imediatamente as senhas das contas afetadas e ativar a autenticação em dois fatores sempre que possível.

Em seguida, monitore suas movimentações financeiras com atenção redobrada e fique alerta para tentativas de golpes ou phishing que usem suas informações pessoais. Se identificar cobranças indevidas ou acessos não autorizados, registre um boletim de ocorrência.

  • Contatar a empresa responsável pelo vazamento e solicitar informações sobre o incidente;
  • Registrar uma reclamação na ANPD pelo site oficial da agência;
  • Buscar reparação judicial pelos danos sofridos, com base na LGPD.

Guardar evidências do vazamento e dos danos causados é fundamental para embasar qualquer reclamação formal ou ação judicial.

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Quais são os direitos como titular de dados?

A LGPD garante um conjunto claro de direitos a qualquer pessoa cujos dados sejam tratados por empresas ou organizações no Brasil. Conhecê-los é o primeiro passo para exercê-los com segurança.

Os principais direitos do titular são:

  • Acesso: saber quais dados seus estão sendo tratados;
  • Correção: solicitar a atualização de dados incorretos ou desatualizados;
  • Eliminação: pedir a exclusão de dados desnecessários ou tratados ilegalmente;
  • Portabilidade: transferir seus dados para outro fornecedor de serviço;
  • Revogação do consentimento: retirar a autorização para o uso dos seus dados a qualquer momento;
  • Informação: ser informado sobre com quem seus dados são compartilhados.

Esses direitos podem ser exercidos diretamente junto à empresa responsável pelo tratamento dos dados, que é obrigada a responder dentro de um prazo razoável.

O que as empresas são obrigadas a fazer em caso de vazamento?

Quando ocorre um incidente de segurança, a LGPD impõe obrigações claras às empresas responsáveis pelo tratamento dos dados. O descumprimento dessas obrigações pode gerar sanções administrativas aplicadas pela ANPD e responsabilização civil pelos danos causados aos titulares.

As principais obrigações das empresas são:

  • Comunicar a ANPD sobre o incidente em prazo razoável, com informações sobre a natureza dos dados afetados e as medidas adotadas;
  • Notificar os titulares afetados sempre que o vazamento puder causar risco ou dano relevante;
  • Adotar medidas corretivas imediatas para conter o incidente e evitar novos vazamentos;
  • Documentar o incidente de forma detalhada, registrando as causas, os impactos e as providências tomadas;

Empresas que não comunicam incidentes de segurança ou que negligenciam a proteção dos dados dos usuários estão sujeitas a multas de até 2% do faturamento anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração.

Para profissionais do direito, dominar esse tema é cada vez mais estratégico: a demanda por assessoria jurídica especializada em proteção de dados cresce à medida que os incidentes de segurança se tornam mais frequentes e as sanções da ANPD mais concretas.


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