Advogado é doutor? Veja o que diz a lei sobre o tratamento

27 de Ago de 2024

Em profissões tão formais como as da área jurídica existe muita dúvida a respeito do tratamento adequado para se dirigir a um advogado, já que a sua atuação envolve ritos e formalidades que impõem certa solenidade no tratamento. 

O nível técnico jurídico exigido pela posição é de um grau muito elevado e ouvimos com frequência advogados serem chamados de “doutores”, mas será que este é o termo correto? O que torna isso mais interessante é que a justificativa de tratamento tem raízes históricas.

Confira a seguir:

Resumo para você
Doutor é um título acadêmico?
De onde surgiu o costume de chamar advogado de doutor?
O que diz a legislação brasileira?
O advogado pode exigir ser chamado de doutor?

Resumo para você

A pergunta “advogado é doutor?” envolve dois planos distintos. No plano acadêmico, o título de doutor exige doutorado e defesa de tese. No plano histórico e cultural brasileiro, consolidou-se o tratamento tradicional para bacharéis em Direito desde o período imperial.

Não há concessão automática de grau acadêmico, mas também não existe vedação ao uso social do termo. Para advogados, compreender essa diferença evita equívocos, reforça postura profissional e demonstra domínio técnico sobre uma dúvida recorrente no meio jurídico.

Doutor é um título acadêmico?

Pela regra acadêmica, doutor é quem concluiu doutorado. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece que o título de doutor depende da defesa de tese inédita, após uma trajetória que normalmente envolve graduação, especialização e mestrado. Do ponto de vista estritamente universitário, não basta ser bacharel em Direito para receber esse grau.

Ou seja, tecnicamente, advogado não é doutor apenas por exercer a profissão. O título acadêmico exige formação específica e reconhecimento institucional.

Na prática jurídica, essa distinção é importante. Muitos profissionais confundem o tratamento social com titulação acadêmica. São coisas diferentes.

✔ Doutorado é grau acadêmico;
✔ Exige pesquisa e defesa de tese;
✔ Depende de avaliação formal.

Esse é o ponto inicial para evitar interpretações equivocadas dentro de escritórios e departamentos jurídicos.

De onde surgiu o costume de chamar advogado de doutor?

Apesar da regra acadêmica, existe uma tradição histórica no Brasil. Em 1827, com a criação dos cursos jurídicos, consolidou-se o uso do termo “doutor” para bacharéis em Direito. Há registros históricos e atos normativos do período imperial que associam a formação jurídica a um tratamento diferenciado.

O imperador Dom Pedro I, em 1827, concedeu a todo profissional investido como advogado o título de Doutor. 

O Alvará Régio editado por D. Maria I, de Portugal, deferiu aos bacharéis em direito os títulos de doutores da lei. Em seguida, Dom Pedro I., declarou o 11 de agosto a data que se comemora a criação dos cursos jurídicos no Brasil.

O contexto era outro. Na época, o acesso ao ensino superior era extremamente restrito. O bacharel em Direito ocupava posição de destaque social e político. O tratamento formal refletia status institucional.

Esse costume atravessou gerações e permanece até hoje no meio forense.

✔ Origem histórica no período imperial
✔ Associação com elite intelectual da época
✔ Consolidação cultural no ambiente jurídico

Aqui entra um ponto relevante para advogados: o uso do termo é cultural e tradicional, não acadêmico.

O que diz a legislação brasileira?

Do ponto de vista legal atual, não existe norma que conceda automaticamente o título acadêmico de doutor ao advogado. O Estatuto da Advocacia não cria grau acadêmico. Também não há dispositivo vigente que imponha obrigatoriedade formal do tratamento.

Ao mesmo tempo, não existe proibição do uso social do termo.

Essa ausência de vedação mantém o costume vivo na prática forense. Tribunais, audiências e comunicações institucionais continuam utilizando o tratamento como forma de respeito profissional.

Para advogados que atuam em órgãos públicos ou departamentos jurídicos, essa compreensão evita conflitos desnecessários. O termo não é exigência legal, mas também não é irregular.

✔ Não há título acadêmico automático
✔ Não há obrigatoriedade legal
✔ Não há vedação expressa

Trata-se de tradição reconhecida socialmente.

O advogado pode exigir ser chamado de doutor?

Aqui entra um ponto sensível. O tratamento “doutor” é prática cultural consolidada, mas não é direito subjetivo vinculado a titulação acadêmica automática.

Na prática profissional, exigir formalmente o tratamento pode gerar desgaste desnecessário. A postura técnica e a autoridade profissional costumam falar mais alto do que a forma de tratamento.

Em audiências e comunicações oficiais, o respeito institucional é esperado independentemente da nomenclatura utilizada.

Para escritórios e departamentos jurídicos, o mais estratégico é compreender o contexto:

✔ Em ambientes formais, o uso é comum;
✔ Em ambientes corporativos, varia conforme cultura organizacional;
✔ O respeito profissional independe do título.

A autoridade do advogado decorre de sua habilitação na OAB, experiência prática e conhecimento técnico.


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